Por que um político jamais adotaria metodologias ágeis

Aproveitamos a corrida presidencial norte-americana para avaliar como seria se Agile fosse aplicado nas esferas políticas.

É época de eleições nos Estados Unidos (e de crise política no Brasil). Em função da corrida presidencial norte-americana, a CIO EUA listou como seria se metodologias ágeis fossem aplicadas em um contexto político. A conclusão da publicação é que não há chances disso funcionar. Veja os motivos.

1. Os políticos vivem em um mundo em que precisam fazer promessas que não sabem como (e se) vão cumprir. Projetos ágeis precisam de um ambiente onde toda promessa, por mais específica, seja entregue – e entregue com qualidade.

2. Políticos gostam de repetir seus discursos. Uma vez que descobrem o que mobiliza seus eleitores, apertam o “repeat” e bombardeiam o mundo com as mesmas mensagens. Projetos ágeis, por outro lado, deve adequar prioridades a cada sprint e manter as discussões em constante evolução.

3. As promessas políticas são aditivas (ou seja, as novas não se sobrepõem às anteriores). Dessa forma, a pilha de promessas só aumenta com o tempo. Em ágil, existem compensações constantes e cada novo sprint começa com uma atualização das listas de prioridades. Novas promessas, assim, não podem ser feitas sem que as antigas tenham sido cumpridas ou descartadas.

4. Políticos fazem promessas considerando que qualquer obstáculo pode ser superado ou removido caso ele se eleja. Cada político se posiciona como o líder que trará a solução, sendo muito mesquinhos e com baixa capacidade de delegar. De fato, frequentemente, eles sequer confiam nas pessoas que estão em seus times. Agile deve ser exatamente o oposto disso. O líder do projeto deve confiar, dar certa autonomia e delegar tarefas a sua equipe.

Um contexto onde a classe política adotasse metodologia ágil seria algo extremamente irônico. O mundo seria mais ou menos assim:

1. Cada sessão nas plenárias seria interpretada como um sprint, sendo que o Presidente da Câmara e do Senado teriam o papel de “scrum masters”.

2. Entre os políticos, não há o compromisso de desempenho ou entrega de resultados. Há apenas duas coisas que você pode afirmar com certeza antes ou durante um mandato: o projeto vai durar quatro anos e consumir mais recursos do que possuem

3. O resultado do sprint será tão bom quanto os integrantes do projeto (no caso, deputados e senadores). Boa sorte.

4. Se você não aceitar a ideia de que compromissos e negociatas fazem parte do processo, nada poderá ser produzido.

5. Todo discurso político pomposo e vazio não será suficiente para vencer a burocracia que impedirá que as coisas aconteçam.

Não surpreende que a popularidade da classe política em todo mundo (especialmente no Brasil) é ridiculamente baixa. Há um argumento histórico para isso (que talvez não se aplique de forma muito precisa em solo brasileiro): toda promessa que faz um candidato atrativo para um eleitor é aquilo que ele não consegue entregar quando eleito.

Muito possivelmente, poucas pessoas que leram esse texto até aqui são ou se tornarão políticos. Independente disso, aplicar (seriamente) metodologias ágeis poderia ajudar a melhorar alguns aspectos do modelo político. A seguir, cinco lições:

1. A implementação de uma cultura ágil raramente floresce sem o apoio ou cobertura das camadas de gestão da companhia. Agile possivelmente não entregaria os resultados esperados em ambientes de trabalho altamente políticos.

2. Os projetos em ágil avançam porque demandam “menos trabalho” e focam na entrega do que realmente importa. As promessas devem se concentrar na produção do que é essencial para aquela fase, relegando componentes menos importante para outra ocasião. É preciso ser claro que ajustes meramente cosméticos não serão feitos até que exista recurso para isso. Use essa linha de raciocínio para construir sua rede de aliados e conseguir apoio do CFO.

3. Um fator-chave para o sucesso de projetos ágeis é a habilidade que cada membro do time tem de compartilhar e comunicar o que está ocorrendo. Isso requer contato individual (1:1) inerente para manter as expectativas de acordo com a realidade.

4. Outro fator-chave é a habilidade de os líderes do projeto se moverem rapidamente para usar os avanços mais significativos de cada sprint como uma mola propulsora do projeto junto a liderança empresarial. Boas demos são recursos produtivos! Logo, tenha certeza de ter sempre algo bacana para demonstrar a cada fase do projeto.

5. Projetos ágeis são mais efetivos em ambientes que enfrentam um ritmo intenso de mudanças. Os times de projeto precisam concentrar sua atenção em entregas rápidas e incrementais e todo e qualquer impulso de “perfeccionismo” ou redução no ciclo de lançamentos deve ser imediatamente combatido.

http://computerworld.com.br/por-que-um-politico-jamais-adotaria-metodologias-ageis

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

WhatsApp chat